A resposta
Nos últimos 12 meses (de 26 de outubro de 2025 a 25 de outubro de 2026), as centrais a gás em Portugal produziram 12 % da eletricidade disponível no país, e o carvão já não conta: a última central fechou em 2021. Pela linha de Espanha chegou ainda, por estimativa, 4 % de origem fóssil e 5 % de origem nuclear. Portugal não tem centrais nucleares.
Resposta recalculada todos os dias, com os dados até 25 de outubro de 2026. O dia a dia está no Monitor e no Explorar.
Gás, carvão e nuclear, em percentagem da eletricidade disponível
Cada barra mostra a parte da eletricidade disponível em Portugal (produzida cá ou importada) que veio de cada fonte. O número à esquerda é a soma das quatro. O resto da barra, a claro, é sol, vento, água, biomassa e a parte renovável vinda de Espanha.
- Gás em Portugal
- Carvão e fuelóleo em Portugal
- Gás e carvão de Espanha (estimativa)
- Nuclear de Espanha (estimativa)
Ano a ano
| Ano | Gás em PT | Carvão e fuelóleo em PT | Gás e carvão de Espanha* | Nuclear de Espanha* | Eletricidade disponível |
|---|---|---|---|---|---|
| 2015 | 9,9 TWh · 19 % | 13,7 TWh · 26 % | 1,4 TWh · 3 % | 1,8 TWh · 3 % | 52,8 TWh |
| 2016 | 11,6 TWh · 20 % | 11,7 TWh · 20 % | 0,5 TWh · 1 % | 0,8 TWh · 1 % | 57,9 TWh |
| 2017 | 17,7 TWh · 31 % | 13,6 TWh · 24 % | 1,1 TWh · 2 % | 0,9 TWh · 2 % | 57,6 TWh |
| 2018 | 14,5 TWh · 25 % | 11,2 TWh · 19 % | 0,9 TWh · 2 % | 0,8 TWh · 1 % | 58,2 TWh |
| 2019 | 16,1 TWh · 29 % | 5,2 TWh · 9 % | 2,2 TWh · 4 % | 1,9 TWh · 3 % | 55,9 TWh |
| 2020 | 16,6 TWh · 30 % | 2,2 TWh · 4 % | 1,6 TWh · 3 % | 1,7 TWh · 3 % | 55,7 TWh |
| 2021 | 14,5 TWh · 26 % | 0,7 TWh · 1 % | 1,9 TWh · 4 % | 2,0 TWh · 4 % | 54,9 TWh |
| 2022 | 16,4 TWh · 30 % | 0,0 TWh · 0 % | 3,5 TWh · 6 % | 2,4 TWh · 4 % | 55,1 TWh |
| 2023 | 9,9 TWh · 18 % | 0,0 TWh · 0 % | 2,6 TWh · 5 % | 2,8 TWh · 5 % | 56,4 TWh |
| 2024 | 4,9 TWh · 8 % | 0,0 TWh · 0 % | 2,1 TWh · 4 % | 3,0 TWh · 5 % | 58,9 TWh |
| 2025 | 7,7 TWh · 13 % | 0,0 TWh · 0 % | 2,1 TWh · 3 % | 2,4 TWh · 4 % | 60,3 TWh |
| 2026 (até 25/10) | 6,1 TWh · 12 % | 0,0 TWh · 0 % | 1,9 TWh · 4 % | 2,4 TWh · 5 % | 50,3 TWh |
* Estimativa: cada hora de importação é repartida pela composição do que Espanha tinha disponível nessa hora (ENTSO-E). Os eletrões não trazem etiqueta; é a forma habitual de atribuir uma origem à importação.
O que isto significa para si
Em 2017, ano de seca, o gás e o carvão produziram em Portugal 54 % da eletricidade disponível. O carvão acabou em 2021, com o fecho de Sines (janeiro) e do Pego (novembro). O gás ficou como a central de reserva: liga-se quando falta água, sol ou vento.
Nos últimos 12 meses, o fóssil queimado cá (12 %) e o fóssil e nuclear vindos de Espanha (8 %) somam 21 %. Portugal não tem centrais nucleares, mas usa eletricidade nuclear espanhola nas horas em que importa: em 2026 pesa mais do que o gás e o carvão vindos de Espanha (4,8 % contra 3,7 %).
Nos últimos 12 meses, no quarto das horas com mais gás português (acima de 15 % da eletricidade disponível), o preço médio no mercado foi de 98 €/MWh. No quarto das horas com menos gás (abaixo de 9 %), foi de 42 €/MWh (média de todas as horas: 79 €/MWh). As horas com muito gás são, em geral, as que têm pouco sol e pouco vento; a diferença mostra o que custa precisar delas, não prova por si só que o gás faz o preço.
De onde vem o gás natural
Portugal não produz gás. Chega por navio ao terminal de Sines, como gás natural liquefeito, ou pelo gasoduto de Espanha. A tabela mostra de onde veio o gás que entrou no país e quanto dele foi queimado nas centrais elétricas.
| Ano | De onde chegou o gás (por ordem de peso) | Parte do gás usada para produzir eletricidade |
|---|---|---|
| 2026 (9 meses) | Nigéria 55 %, Estados Unidos 32 %, Rússia 8 %, Espanha (gasoduto) 5 % | 31 % |
| 2025 | Nigéria 50 %, Estados Unidos 40 %, Rússia 7 %, Espanha (gasoduto) 3 % | 31 % |
| 2024 | Nigéria 51 %, Estados Unidos 40 %, Rússia 7 %, Espanha (gasoduto) 1 %, Trinidade e Tobago 1 % | 18 % |
| 2023 | Nigéria 42 %, Estados Unidos 40 %, Rússia 8 %, Espanha (gasoduto) 5 %, Trinidade e Tobago 5 % | 33 % |
| 2022 | Nigéria 48 %, Estados Unidos 30 %, Trinidade e Tobago 9 %, Espanha (gasoduto) 6 %, Rússia 5 %, Outros 2 % | 46 % |
| 2021 | Nigéria 50 %, Estados Unidos 26 %, Rússia 13 %, Qatar 6 %, Espanha (gasoduto) 5 % | 35 % |
| 2020 | Nigéria 51 %, Estados Unidos 18 %, Outros 10 %, Rússia 8 %, Espanha (gasoduto) 8 %, Qatar 5 % | 37 % |
| 2019 | Nigéria 52 %, Estados Unidos 21 %, Qatar 11 %, Espanha (gasoduto) 9 %, Outros 4 %, Rússia 3 % | 35 % |
| 2018 | Nigéria 41 %, Espanha (gasoduto) 34 %, Qatar 16 %, Estados Unidos 6 %, Argélia 2 %, Outros 1 % | 32 % |
| 2017 | Espanha (gasoduto) 42 %, Nigéria 33 %, Qatar 9 %, Estados Unidos 8 %, Argélia 4 %, Outros 3 % | 40 % |
| 2016 | Espanha (gasoduto) 62 %, Nigéria 22 %, Qatar 8 %, Argélia 4 %, Estados Unidos 2 %, Outros 2 % | 28 % |
| 2015 | Espanha (gasoduto) 63 %, Nigéria 25 %, Qatar 5 %, Argélia 4 %, Noruega 2 %, Outros 2 % | 21 % |
Fonte: REN, Data Hub (aprovisionamento mensal, ponderado pelo volume de cada mês). O gás que entra pelo gasoduto de Espanha pode ter origem noutro país. Um ano com menos de 12 meses ainda não está completo.
Como foi calculado
Produção a gás e a carvão em Portugal: ENTSO-E, produção por tipo de central, hora a hora (o grupo «carvão» inclui o fuelóleo e outros combustíveis fósseis sólidos e líquidos, residuais em Portugal). Eletricidade disponível: soma da produção em Portugal e da importação, como na pergunta 3. Os totais do gás e do carvão coincidem com os da REN. Parte fóssil e nuclear da importação: estimativa do Painel a partir da produção espanhola publicada pela ENTSO-E e pela Red Eléctrica. Gás natural: REN, Data Hub.