De onde veio a eletricidade
Áreas empilhadas: o que cada fonte deu ao sistema. A linha escura é o consumo. Abaixo do zero, a eletricidade que saiu para Espanha. Passe o dedo ou o rato sobre o gráfico, ou use as setas do teclado.
Os três gráficos partilham o mesmo eixo do tempo e o mesmo ponto escolhido. Cada um tem a sua escala própria.
Neste momento do gráfico
O ponto escolhido no gráfico.
Cada fonte face ao seu máximo registado
Barra cheia: o maior valor horário medido desde 2015 para essa fonte. É uma referência observada, não a potência instalada.
Balanço do período
Toda a eletricidade que entrou no sistema, à esquerda, e para onde foi, à direita. A largura de cada faixa é proporcional à energia.
Ver o balanço em tabela
De que é feita a luz que vem de Espanha
A eletricidade não traz etiqueta de origem. Por convenção, a que Portugal importa em cada hora tem a composição de tudo o que Espanha tinha disponível nessa hora: a produção espanhola, mais o que Espanha importava de França (repartido pela produção francesa) e de Marrocos.
O sistema sabia o que vinha?
Na véspera, a rede prevê quanto vão produzir o vento e o sol e quanto o país vai consumir. Aqui está a previsão ao lado do que aconteceu.
O tempo que fez
O vento e o sol explicam boa parte do que se passou na rede. Aqui está o tempo do período, comparado com o normal das mesmas datas.
A interligação com Espanha
Portugal e Espanha formam um só mercado. Quando o preço é igual dos dois lados, as linhas tiveram capacidade para tudo; quando é diferente, encheram num dos sentidos.
A margem do sistema
Quando o vento e o sol dão pouco, alguém tem de cobrir o resto: as centrais que se podem ligar quando é preciso e as linhas de Espanha. Aqui está a hora mais difícil do período e a folga que havia, em teoria, nessa altura.
O gás que chega a Portugal
Quando falta sol, vento e água, são as centrais a gás que seguram a rede. Este gás chega quase todo de navio, a Sines. Aqui está quanto entrou no período, por onde, para onde foi e de que países veio.
E Ormuz? Portugal quase não compra gás ao Golfo, mas paga o preço do mercado europeu, que subiu com o fecho do estreito. Em setembro e outubro de 2026, Sines recebeu em média 0,177 TWh de gás liquefeito por dia, mais 47% do que um ano antes (0,177 ÷ 0,120 = 1,475; dados da ENTSOG). O gás que chega à Europa e o preço mundial do gás estão no Painel A Porta Estreita.
Quanto se paga pela energia em cada país da UE
O preço do mercado é só uma parte da fatura. Aqui estão a eletricidade e o gás, para famílias e para empresas, antes e depois de impostos, em Portugal, nos maiores países ou nos 27 da União Europeia. Na vista «De que é feito o preço» vê-se quanto da fatura são custos do sistema: redes, apoio às renováveis e garantia de potência.
Recordes desde 2015
Cada recorde abre o Monitor nesse dia.
Como se lê e como foi calculado
- Dados. Plataforma de Transparência da ENTSO-E, para Portugal: produção real por tecnologia (art. 16.1.B&C do Regulamento (UE) n.º 543/2013), consumo real total (art. 6.1.A), trocas físicas com Espanha (art. 12.1.G) e preço do mercado diário (art. 12.1.D). Médias horárias em hora de Lisboa. Só entram dias completos.
- Abastecimento = produção nacional + importação líquida de Espanha. As quotas «% do abastecimento» são calculadas sobre este total.
- Consumo = carga total da ENTSO-E. Por definição do regulamento, inclui as perdas nas redes e exclui a energia usada para bombear água.
- Importação e exportação = saldo líquido de cada hora com Espanha (só um dos dois é diferente de zero em cada hora).
- Diferença de balanço = abastecimento − consumo − exportação. Corresponde sobretudo à energia gasta a bombear água para as albufeiras, mais as diferenças estatísticas entre as séries publicadas. Não é uma medição da bombagem; quando é negativa, assinala que as séries não fecham nessa hora.
- Sol, vento e água = solar, eólica e hídrica (albufeira e fio de água). As centrais reversíveis (bombagem) ficam à parte, porque devolvem sobretudo energia que já foi produzida antes. «Biomassa e outras» junta biomassa, resíduos e o grupo «outras» da ENTSO-E, que mistura fontes renováveis e não renováveis; por isso não é somada às renováveis.
- Centrais reversíveis (bombagem) = centrais hídricas com duas albufeiras, uma acima da outra, em que a mesma máquina tanto produz (a água desce e faz girar a turbina) como bombeia (a água é subida quando a eletricidade está barata ou sobra vento e sol). Exemplos: Alqueva, Gouvães (Tâmega), Frades II, Baixo Sabor, Foz Tua. Funcionam como uma grande bateria de água: por cada 100 kWh gastos a subir a água, devolvem cerca de 70 a 80. No Painel, esta cor é tudo o que estas centrais produzem, incluindo a água da chuva que lhes chega naturalmente, porque é assim que a ENTSO-E publica. A REN conta como «bombagem» só a parte da água antes bombeada e põe o resto nas barragens; somadas, as duas fontes coincidem (ver o confronto com a REN).
- Intensidade carbónica da produção nacional = Σ(energia × fator) ÷ Σ energia, só com a produção nacional primária. Fatores de ciclo de vida, medianas do IPCC (AR5, Grupo III, 2014, anexo III), em gCO₂eq/kWh: eólica 11; hídrica 24; solar 48; biomassa e outras 230; gás natural 490; carvão e fuelóleo 820. Ficam de fora as centrais reversíveis (bombagem: energia sobretudo já contada) e a importação. A importação entra num segundo número, a intensidade do que se consumiu, que junta a produção nacional e a eletricidade importada com a origem descrita abaixo («Origem da importação»). O fator 230 aplicado a «biomassa e outras» é uma simplificação.
- Preço = média aritmética simples dos preços horários do mercado diário para Portugal (não ponderada pelo consumo).
- Origem da importação (convenção): em cada hora, a importação portuguesa é repartida pela composição do que Espanha tinha disponível: produção espanhola por tecnologia (ENTSO-E, 16.1.B&C), mais a importação de França repartida pela produção francesa dessa hora, mais a importação de Marrocos. O fluxo de Portugal para Espanha não entra. As trocas com Marrocos vêm da Red Eléctrica (API REData), porque a ENTSO-E não publica essa fronteira; a Red Eléctrica só as publica por dia, e o valor diário é repartido por igual pelas horas desse dia; a composição da eletricidade marroquina é desconhecida e fica fora da intensidade carbónica. Nuclear: 12 gCO₂eq/kWh (mediana do IPCC, mesmo quadro).
- Centrais reversíveis a bombear = consumo das centrais reversíveis (bombagem) publicado pela ENTSO-E (16.1.B&C, séries de consumo). Substitui, no balanço, a maior parte da antiga «diferença de balanço»; o resto fica como «outras diferenças entre séries».
- Previsto e real: previsões da véspera da ENTSO-E para o vento e o sol (14.1.D) e para o consumo (6.1.B). Erro médio = soma dos erros absolutos hora a hora ÷ soma dos valores reais.
- Interligação: horas com preço português diferente do espanhol em mais de 0,5 €/MWh (12.1.D); capacidade de importação Espanha→Portugal prevista na véspera (11.1); «no limite» = importação ≥ 95 % dessa capacidade.
- O tempo que fez: médias diárias da Open-Meteo (reanálise ERA5, licença CC BY 4.0) — vento a 100 m e radiação solar em 5 pontos (Trás-os-Montes, serras do Centro, Alentejo, Lisboa, Porto) e temperatura em Lisboa e Porto. São indicadores do tempo, não da produção de cada central; o «normal» é a média das mesmas datas nos outros anos desde 2015.
- Margem do sistema (teórica): procura residual = consumo − vento − sol, em cada hora; potência controlável = potência instalada declarada à ENTSO-E (14.1.A) de gás, carvão e fuelóleo, barragens, centrais reversíveis e biomassa; capacidade de importação = valor previsto na véspera para Espanha→Portugal (11.1). Margem = potência controlável + capacidade de importação − procura residual. É um limite superior: não desconta avarias, manutenções, a água disponível nas albufeiras nem as reservas que a REN tem de manter.
- O gás que chega a Portugal: fluxos físicos diários nos pontos da rede de transporte de gás (ENTSOG, desde 2021): entrada por Sines (gás natural liquefeito), pelo VIP Ibérico (Espanha) e a partir do armazenamento do Carriço; saídas para os grandes consumidores ligados à alta pressão (sobretudo centrais elétricas), para as redes de distribuição, para Espanha e para o Carriço. A origem por país e o gás usado no mercado elétrico são mensais (REN, Data Hub).
- Quanto paga uma família: preço médio semestral da eletricidade para consumidores domésticos de 2 500 a 4 999 kWh/ano, com todos os impostos e taxas e sem impostos (Eurostat, nrg_pc_204).
- Posição histórica = o mesmo período, com as mesmas datas, em cada ano desde 2015 que tem dados completos.
- Gráficos de dia, 7 dias e mês: valores horários. Ano: médias diárias. Desde 2015: médias semanais.
Mais pormenor em Como foi calculado e As contas, passo a passo. O Portugal Electricity Mix, de Diogo Valada, foi a primeira ferramenta pública a repartir a importação portuguesa pelo mix de Espanha e a deixar escolher qualquer intervalo de datas. O Painel segue a mesma ideia e alarga a origem a França e a Marrocos; comparar as duas ferramentas no mesmo intervalo é uma boa forma de verificar ambas.
Monitor concebido e calculado por Gaspar do Amaral, com recurso a IA, a partir dos ficheiros oficiais · 23 de outubro de 2026 · © Aprecisa.com